Afinal, equações "exageravam velocidade" de grandes dinossauros e mamutes
- 17/01/2026
O estudo, publicado na revista Scientific Reports, contou com a participação do arqueólogo Juan Manuel Jiménez Arenas, da Universidade de Granada, e de Javier Ruiz, professor de geodinâmica interna na Universidade Complutense de Madrid, divulgou a Universidade de Granada.
A velocidade de marcha dos animais depende de múltiplos fatores, incluindo o tipo de locomoção e a massa corporal, explicaram os investigadores.
Os animais plantígrados e graviportais, aqueles com patas colunares adaptadas para suportar grandes pesos, são notavelmente mais lentos do que os animais digitígrados ou ungulígrados.
Além disso, a partir dos 100 quilos de peso, a velocidade máxima diminui progressivamente à medida que o tamanho do corpo aumenta.
Exemplo disso são os elefantes modernos, os animais terrestres mais pesados, que não ultrapassam os 25 quilómetros por hora.
Em paleontologia, onde não é possível observar diretamente o movimento de espécies extintas, a estimativa da velocidade depende de modelos matemáticos.
Até agora, estes modelos agrupavam animais com anatomias e modos de locomoção muito diferentes, levando a sobrestimações significativas.
"Na verdade, as equações tradicionais exageravam a velocidade real dos elefantes modernos até 70%, uma margem de erro incompatível com a reconstrução rigorosa do comportamento ecológico das espécies extintas", explicaram os investigadores.
Para corrigir este viés, a equipa de investigação desenvolveu novos cálculos baseados exclusivamente em dados empíricos de elefantes vivos, considerados os melhores análogos de grandes vertebrados do passado.
Aplicando estes modelos, os resultados mostram que o mamute-lanoso, com cerca de seis toneladas, terá sido o proboscídeo extinto mais rápido, atingindo velocidades de pouco mais de 20 quilómetros por hora.
Em contraste, o enorme Mammut borsoni, que pesava até 16 toneladas, dificilmente ultrapassaria os 15 km/h.
O estudo analisou ainda a velocidade dos mamutes que habitavam a Bacia do Orce (Granada), como o Mammuthus meridionalis, espécie contemporânea dos primeiros humanos da Eurásia Ocidental, que se deslocaria a uma velocidade máxima de aproximadamente 18 km/h.
Os dinossauros gigantes revelaram-se ainda mais lentos, segundo os investigadores, que salientaram que o Argentinosaurus hiunculensis, um dos maiores animais terrestres conhecidos, com cerca de 75 toneladas, não terá ultrapassado os 10 km/h.
Na Europa, o Turiasaurus riodevensis, encontrado em Teruel e com um peso estimado de 42 toneladas, atingiu uma velocidade máxima de 11,8 km/h.
Estes valores colocam estes grandes mamíferos extintos a velocidades comparáveis, e até inferiores, aos atletas humanos de elite na modalidade de marcha, e muito distantes das velocidades atingidas pelos velocistas de elite.





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