Agricultores irlandeses e espanhóis protestam contra acordo UE/Mercosul
- 10/01/2026
Cartazes com "Não ao Mercosul" e "Apoio à agricultura irlandesa" estavam pendurados em alguns dos muitos tratores que convergiram para a pequena localidade situada a meio caminho entre Dublin e Galway, no dia seguinte à aprovação do acordo pela Comissão Europeia, ao qual o Governo irlandês se opôs.
Já em Espanha, cerca de 100 agricultores subiram aos seus tratores e bloquearam hoje a autoestrada A-52, em Trasmiras (Ourense), no quilómetro 188, em protesto contra o acordo, que consideram prejudicial para o setor primário e para os consumidores.
A mobilização, segundo os promotores, visa pressionar as administrações com o objetivo de conseguir a proteção do setor agro-pecuário galego. A Guarda Civil informou que a autoestrada está interditada em ambos os sentidos, estando bloqueada por veículos, paus, rolos de palha e pneus queimados.
Dezenas de agricultores enfurecidos protestaram durante a semana em frente ao parlamento francês, após conduzirem cerca de 100 tratores até Paris, e em Espanha, houve protestos em cidades como Tarragona, Santander e Vitoria-Gasteiz, enquanto Bruxelas também foi palco de manifestações.
Diversos grupos de agricultores alemães protestaram esta quinta-feira contra o acordo, bloqueando as estradas em vários pontos do país, incluindo algumas vias de acesso à capital, Berlim, enquanto na Grécia os agricultores intensificaram os protestos em todo o país, iniciando um bloqueio de 48 horas nas principais estradas.
O acordo comercial celebrado pela União Europeia com os países do Mercosul será assinado no Paraguai a 17 de janeiro, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros argentino.
"Vamos assinar um acordo histórico a 17 de janeiro no Paraguai, o mais ambicioso entre os dois blocos", disse o ministro Pablo Quirno na rede social X.
Este acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.
O Brasil, a maior economia do bloco sul-americano, é um forte entusiasta do acordo, dado que o país é uma grande potência agrícola.
Inicialmente, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, esperava que o tratado fosse assinado em dezembro na cimeira do Mercosul, na cidade de Foz do Iguaçu, no sul do Brasil, quando Brasília detinha a presidência rotativa do Mercosul.
Mas a assinatura teve de ser adiada devido a divisões europeias.
O acordo UE-Mercosul permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.
No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.
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