Alemanha leva oito jovens alegadamente "separatistas" neonazis a tribunal
- 24/01/2026
Esses homens, com idades entre os 22 e os 26 anos, são acusados de pertencer a uma organização terrorista e de conspiração no tribunal de Dresden, na região oriental da Saxónia, um bastião da extrema-direita alemã.
Na primeira audiência, os juízes rejeitaram o pedido da defesa que solicitava a exclusão do público, disse à agência de notícias francesa AFP um porta-voz do tribunal.
O julgamento deverá prolongar-se ao longo do ano, até 16 de dezembro.
Os arguidos constituiriam metade dos efetivos - cerca de vinte membros - dos "separatistas saxões", uma organização fundada em 2020 e qualificada como "terrorista" pelo Ministério Público.
Adeptos de uma ideologia "racista e antissemita", os membros da célula pretendiam "instituir um sistema estatal e social inspirado no nacional-socialismo" e eliminar "pessoas consideradas indesejáveis, se necessário através de uma limpeza étnica".
A organização foi desmantelada em novembro de 2024 durante uma operação que mobilizou 450 agentes das forças da ordem no leste da Alemanha, em particular em Leipzig e Dresden, mas também na Polónia e na Áustria.
Segundo o Ministério Público, o grupo supunha que a Alemanha estava "à beira do colapso" e que um dia entraria "um caos".
Em preparação para esse dia "X", os membros do grupo passaram por treinos paramilitares com equipamento de combate. Treinaram, nomeadamente, o manuseamento de armas de fogo, marchas noturnas e marchas forçadas, bem como patrulhas, e adquiriram um vasto equipamento militar.
No dia seguinte à operação policial, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) reconheceu que três dos seus membros estavam entre os oito detidos e afirmou que os iria excluir.
Contactada pela AFP, a secção regional do AfD não reagiu imediatamente.
A Alemanha desmantelou várias células de extrema-direita nos últimos anos, sendo que uma das mais importantes é objeto de três processos judiciais distintos há quase dois anos.
Uma das figuras centrais dessas células é o aristocrata Henri XIII, conhecido como Príncipe Reuss, suspeito de ser o líder dos "Reichsbürger" (cidadãos do Reich, nota do editor), um movimento suspeito de querer derrubar a República Federal da Alemanha através de um golpe de Estado.
Leia Também: Alemanha e Itália invocam razões jurídicas para não integrar Conselho de Paz





.jpg)






















































