Alguns funcionários da base dos EUA no Qatar receberam ordens para sair
- 15/01/2026
Os funcionários visados devem deixar a base, em Al-Udeid, até esta noite (hora local), indicaram duas fontes, que pediram para não serem identificadas, à agência de notícias France-Presse.
As autoridades qataris já confirmaram estas medidas, indicando que "estão a ser tomadas em resposta às atuais tensões regionais".
"O Gabinete de Imprensa Internacional reafirma que o Estado do Qatar continua a implementar todas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança e proteção dos seus cidadãos e residentes como prioridade máxima, incluindo ações relacionadas com a proteção de infraestruturas críticas e instalações militares", referiu, num comunicado publicado na página na internet e nas redes sociais.
Localizada a 190 quilómetros a sul do Irão, do outro lado do golfo, Al-Udeid, a maior base militar dos EUA no Médio Oriente, foi atacada em junho de 2025 pelo Irão, que respondia ao bombardeamento liderado pelos EUA contra instalações nucleares iranianas.
De acordo com as autoridades iranianas, o ataque norte-americano matou mais de mil pessoas, a maioria civis, enquanto a retaliação iraniana contra a base norte-americana no Qatar teve pouco impacto.
O ministro da Defesa iraniano, Aziz Nafizardeh, avisou já que Teerão atacará as bases norte-americanas na região caso os EUA lancem uma ofensiva contra a nação persa.
"Todas as bases americanas e as bases militares de outros países da região que auxiliem os EUA em ataques contra o território iraniano serão consideradas alvos legítimos", afirmou o governante.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente o regime iraniano com um ataque contra o país para defender milhares de manifestantes que têm saído às ruas nas últimas duas semanas em protestos por toda a República Islâmica, nos quais morreram centenas de civis.
A organização não-governamental (ONG) Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA), com sede nos EUA, contabilizou hoje 2.571 mortos nos protestos.
A ONG, criada por exilados iranianos, indicou que 2.403 dos mortos são manifestantes e 147 ligados às forças de segurança e ao Governo.
O número de detidos também aumentou para mais de 18.100, indicou.
O número divulgado pela ONG supera em muito o número de mortos de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979 no país.
Na terça-feira, a televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez um elevado número de mortes, afirmando que foram registados "muitos mártires", causados por "grupos armados e terroristas".
Os meios de comunicação social estatais noticiaram que pelo menos 121 membros das forças militares, policiais, de segurança e judiciais da República Islâmica morreram durante os protestos, indicou uma outra ONG, a Human Rights Iran (HRINGO).
O Irão está a viver uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante 2025, o rial perdeu 69% do valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos EUA e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
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