"América está contigo". Televisão estatal do Irão foi hackeada
- 20/01/2026
A emissão da televisão estatal do Irão foi interrompida no domingo, por um ataque cibernético, levado a cabo por hackers, que substituíram a programação com mensagens pró-protestos e contra o governo nacional.
Segundo a Sky News, as imagens emitidas durante o ataque mostraram o príncipe herdeiro iraniano, Reza Pahlavi, em dois vídeos distintos.
"Eu tenho uma mensagem especial para o exército: vocês são o exército nacional do Irão, não o exército da República Islâmica", disse num dos clipes, que, apesar do corte generalizado de internet no país, foi parar às redes sociais. "Têm o dever de proteger as vossas próprias vidas. Não vos resta muito tempo. Juntem-se ao povo o mais rápido possível", acrescentou.
O gabinete do príncipe herdeiro admitiu, mais tarde, a veracidade das imagens, confirmando que se tratava mesmo do próprio a falar nos vídeos.
Para além da mensagem de Pahlavi, foram ainda passados gráficos com as palavras "a América está contigo", assim como a Europa, alertando ainda para o facto de as autoridades estarem a fazer "de tudo para manter a população ao escuro".
Durante o ataque cibernético, foram ainda mostradas imagens de elementos das forças de segurança que, alegadamente, "pousaram as armas e juraram lealdade ao povo".
A televisão pública admitiu a imprensa nacional que o sinal em "algumas áreas do país foram perturbadas momentaneamente por uma fonte desconhecida", sem reconhecer o ataque ou a mensagem que foi emitida.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde o dia 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial (a moeda iraniana) e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país. Os protestos acabaram por evoluir para um movimento de contestação do regime da República Islâmica.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e a Israel.
No domingo, um oficial iraniano adiantou à agência Reuters que as autoridades registaram, pelo menos, cinco mil mortos durante os protestos, sendo que cerca de 500 pertenciam às forças de segurança.
Contudo, a Agência de Notícias dos Ativistas de Direitos Humanos Iraniana reportou, no mesmo dia, que quase nove mil mortes estavam sob investigação e que havia cerca de 25 mil detidos devido aos protestos.
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