Apoiantes de Nicolás Maduro deverão voltar a manifestar-se hoje
- 11/01/2026
Acusados de tráfico de droga, Nicolas Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, que se declararam inocentes, na segunda-feira, perante a justiça norte-americana em Nova Iorque, encontram-se detidos nos Estados Unidos.
Na sequência da captura de Nicolas Maduro, a antiga vice-presidente Delcy Rodriguez foi nomeada presidente interina.
Entre as primeiras mudanças desde a sua chegada ao poder, está a nomeação, na terça-feira, de um ex-diretor do banco central venezuelano como vice-presidente responsável pela economia, cargo que constitui uma prioridade para a sua administração.
O seu governo também "decidiu iniciar um processo exploratório" com vista a restabelecer as relações diplomáticas com os Estados Unidos, rompidas desde 2019.
Diplomatas norte-americanos visitaram Caracas na sexta-feira, e "a administração Trump continua em contacto próximo com as autoridades interinas", afirmou hoje um responsável do Departamento de Estado.
Donald Trump disse ter cancelado um novo ataque à Venezuela devido à cooperação de Caracas e Washington exclui, por enquanto, a marcação de eleições, preferindo negociar com Delcy Rodriguez, a quem a Casa Branca pretende "ditar" todas as suas decisões.
Em resposta, Delcy Rodriguez disse que o país não está "subordinado nem submetido" a Washington.
Na quinta-feira, o governo venezuelano anunciou a libertação de "muitos prisioneiros", o que o presidente dos Estados Unidos considerou "um gesto muito importante e inteligente".
Desde então, dezenas de famílias de opositores ou ativistas vivem na angústia e na esperança de reencontrar os seus familiares e, pela segunda noite consecutiva, alguns permaneceram em frente às prisões, em colchões ou mesmo no chão.
"É desumano o que nos estão a infligir, é gozar connosco. É como se quisessem fazer mal até ao fim", lamenta à AFP a mãe de um detido que prefere manter o anonimato por medo de represálias, enquanto espera notícias do filho nas imediações do centro penitenciário de Rodeo I, a leste de Caracas.
A ONG Foro Penal contabilizou desde quinta-feira 11 libertações, incluindo a de Antonio Gerardo Buzzetta Pacheco, um cidadão com dupla nacionalidade italiana e venezuelana.
A principal coligação da oposição, Plataforma Unitária, refere 17, num total de detidos que oscila entre 800 e 1.200, de acordo com estimativas de ONG e organizações.
Numa mensagem no X, a Plataforma Unitária exige "que se acelere o processo de libertação para que cesse o sofrimento" dos prisioneiros e das suas famílias.
Desde a operação militar em solo venezuelano, que causou pelo menos 100 mortos, incluindo militares venezuelanos e cubanos, o governo norte-americano continua o seu bloqueio à exportação de petróleo venezuelano.
Na sexta-feira, Washington anunciou ter apreendido em águas internacionais um novo petroleiro que partia da Venezuela, o quinto nas últimas semanas.
O presidente dos Estados Unidos juntou na Casa Branca os grandes grupos petrolíferos para os incentivar a conquistar as reservas da Venezuela, mas não convenceu todos.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 mil milhões de barris, de acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à frente da Arábia Saudita (267 mil milhões) e do Irão.
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