Autarca diz que morte de condutora por agente do ICE foi "imprudente"
- 08/01/2026
A mulher foi baleada num bairro residencial a sul do centro de Minneapolis, apenas a alguns quarteirões de mercados de imigrantes mais antigos e a cerca de 1,6 quilómetros de onde George Floyd foi morto pela polícia em 2020.
O seu assassinato rapidamente atraiu uma multidão de manifestantes furiosos.
A secretária norte-americana de Segurança Interna, Kristi Noem, considerou, durante uma visita ao Texas, o incidente como um "ato de terrorismo doméstico" perpetrado contra agentes da ICE por uma mulher que "tentou atropelá-los e colidiu com o veículo contra eles".
"Um dos nossos agentes agiu rapidamente e em defesa própria, disparando para se defender e proteger as pessoas à sua volta", afirmou a responsável federal.
Já o Presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a afirmação classifcando-a como "lixo", assim como o destacamento federal de mais de 2.000 agentes para as Cidades Gémeas de Minneapolis e St Paul, como parte da repressão à imigração da admianistração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"O que eles estão a fazer não é proporcionar segurança na América. O que eles estão a fazer é a causar o caos e a desconfiança", afirmou Frey, pedindo aos agentes de imigração que se retirem.
"Estão a separar famílias. Estão a semear o caos nas nossas ruas e, neste caso, literalmente a matar pessoas."
"Eles já estão a tentar apresentar isto como uma ação de autodefesa. Mas, tendo eu próprio visto o vídeo, quero dizer a todos diretamente que isso é uma estupidez", frisou o presidente da câmara.
Vídeos feitos por transeuntes, a partir de diferentes ângulos e publicados nas redes sociais, mostram um agente a aproximar-se de um SUV parado no meio da estrada, exigindo que o condutor abra a porta e segurando a pega. O SUV começa a andar e um outro agente da ICE, colocado em frente ao veículo, saca de uma arma e dispara imediatamente, pelo menos duas vezes dentro do SUV, de perto, recuando enquanto o veículo se move em direção a ele.
Não está claro nos vídeos se o condutor do veículo falou com o polícia. O SUV então acelerou em direção a dois carros estacionados junto ao passeio próximo antes de parar subitamente. Testemunhas gritaram obscenidades, expressando choque pelo que tinham visto.
O tiroteio marca uma escalada na mais recente série de operações de fiscalização da imigração em grandes cidades sob a administração Trump.
A morte daquela mulher de Minneapolis, cujo nome não foi imediatamente divulgado, foi pelo menos a quinta ligada a ações de repressão à imigração no país.
As cidades gémeas estão em alerta desde que o DHS anunciou na terça-feira que tinha lançado a operação, que está pelo menos parcialmente ligada a alegações de fraude, envolvendo residentes somalis.
Durante a sua visita ao Texas, Kristi Noem confirmou que o DHS tinha destacado mais de 2.000 agentes para a área e disse que eles já tinham feito "centenas e centenas" de prisões.
O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, descreveu brevemente o tiroteio hoje aos repórteres, mas, ao contrário dos responsáveis federais, não deu nenhuma indicação de que a motorista, de 37 anos, estivesse a tentar fazer mal a alguém, adiantando apenas que a mulher foi baleada na cabeça.
"Esta mulher estava no seu veículo e estava a bloquear a estrada na Portland Avenue. Em algum momento, um agente federal de aplicação da lei aproximou-se dela a pé e o veículo começou a arrancar," explicou. Então, "foram disparados pelo menos dois tiros. O veículo depois colidiu na lateral da estrada", acresentou.
Uma grande multidão de manifestantes reuniu-se no local após o tiroteio, onde expressaram a sua raiva contra os oficiais locais e federais que lá estavam, incluindo Gregory Bovino, um funcionário sénior da U.S. Customs and Border Patrol, que tem sido a face das operações de repressão em Los Angeles, Chicago e outros lugares.
Num cenário que lembrava as operações em Los Angeles e Chicago, os transeuntes provocavam os oficiais e assobiavam com apitos. "Vergonha! Vergonha! Vergonha!" e "ICE fora do Minnesota!" cantavam os manifestantes bem alto por trás da fita policial.
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