Caça à baleia começou há 5.000 anos no Brasil (antes do que se pensava)
- 10/01/2026
O estudo, publicado na revista Nature Communications e citado na sexta-feira pela agência Efe, refere que os povos da região da Baía de Babitonga (Brasil), que construíram sambaquis - montes de conchas monumentais que serviam de habitação ou cemitérios - ao longo da costa, possuíam tecnologias específicas para a caça destes cetáceos muito antes do que indicavam as investigações arqueológicas.
Num comunicado, a Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) destacou que este estudo "redefine o papel das comunidades sul-americanas no surgimento de culturas marítimas complexas, uma vez que até então se acreditava que as origens da caça à baleia se davam entre as sociedades pós-glaciais do Hemisfério Norte, entre há 3.500 e 2.500 anos".
A investigação é o resultado do trabalho do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental e do Departamento de Pré-História da UAB, e foi liderada pelos cientistas Krista McGrath e André Colonese.
A equipa analisou centenas de restos ósseos de cetáceos, bem como ferramentas de osso provenientes de sambaquis (sítios de pesca) na baía de Babitonga, que se encontram preservados no Museu Arqueológico dos Sambaquis, em Joinville, Brasil.
Esta coleção é considerada um arquivo único da história indígena, dado que os sítios já não existem e, de outra forma, não poderiam ser reconstruídos.
Até ao início da atividade cinegética, foram identificados restos de baleias-francas-austrais, baleias-jubarte, baleias-azuis, baleias-sei, cachalotes e golfinhos, muitos com marcas de corte nítidas associadas ao abate, e foram documentados grandes arpões feitos de osso de baleia.
"Os dados demonstram claramente que estas comunidades desenvolveram o conhecimento, as ferramentas e as estratégias especializadas necessárias para caçar grandes baleias milhares de anos antes do que pensávamos", enfatizou Krista McGrath.
O estudo concluiu ainda que a distribuição histórica dos grandes cetáceos se estendia muito mais para sul do que as principais áreas de reprodução na costa do Brasil atualmente.
A coautora do estudo, Marta Cremer, observou que "o recente aumento do número de avistamentos no sul do Brasil pode, portanto, refletir um processo histórico de recolonização, com implicações para a conservação".
Além disso, a investigação oferece novas perspetivas sobre as economias, tecnologias e modos de vida das sociedades pós-glaciais ao longo da costa atlântica da América do Sul.
"Isto abre uma nova perspetiva sobre a organização social dos povos sambaqui. Representa uma mudança de paradigma; agora podemos ver estes grupos não só como apanhadores de marisco e pescadores, mas também como baleeiros", sublinhou o autor sénior do estudo, André Colonese.
Os povos sambaqui desenvolveram uma sofisticada cultura marítima caracterizada por tecnologias especializadas, cooperação coletiva e práticas rituais associadas à captura de grandes animais marinhos.
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