China e Canadá veem visita de Carney a Pequim como "ponto de viragem"
- 15/01/2026
Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia Wang Yi considerou a visita de Carney como "ponto de viragem" com potencial para abrir "novas perspetivas" na relação entre Pequim e Otava.
A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Anita Anand, que se reuniu hoje com Wang, afirmou que Carney pretende "definir o rumo para o desenvolvimento das relações" e retomar o diálogo em múltiplos domínios, segundo a mesma nota.
Carney, que assumiu funções há 10 meses, tenta restabelecer laços com Pequim depois de um período marcado por divergências, que inclui a detenção, em 2018, da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA, e a imposição de tarifas mútuas sobre produtos estratégicos como veículos elétricos, aço, alumínio, canola e produtos do mar.
O primeiro-ministro canadiano reuniu-se hoje com o homólogo chinês, Li Qiang, e deverá encontrar-se com o Presidente Xi Jinping na sexta-feira.
A missão ganha urgência num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, agravou as tarifas sobre exportações canadianas.
Atualmente, mais de 75% das exportações do Canadá têm como destino os Estados Unidos. Carney definiu como meta duplicar as exportações canadianas para fora do mercado norte-americano na próxima década.
"Estamos prontos para construir uma nova parceria, assente no melhor do nosso passado e preparada para os desafios do presente", escreveu Carney na rede X após a chegada a Pequim, na quarta-feira à noite.
As tarifas aplicadas pelo Canadá em 2024, sob o Governo de Justin Trudeau, seguiram o exemplo dos EUA e impuseram taxas de 100% sobre veículos elétricos chineses e 25% sobre aço e alumínio.
Em resposta, Pequim aplicou tarifas de 100% ao óleo e farelo de canola canadianos, 75,8% às sementes de canola e 25% à carne de porco e aos produtos do mar, praticamente encerrando o mercado chinês a estas exportações, segundo fontes do setor.
A China tem expressado esperança de que a pressão económica exercida por Trump leve aliados dos EUA, como o Canadá, a adotar uma política externa mais autónoma.
Pequim acusa frequentemente Washington de formar alianças para isolar a China, uma linha de crítica comum sob as administrações de Joe Biden e de Trump.
As relações entre os dois países deterioraram-se gravemente em 2018, quando Meng Wanzhou foi detida no Canadá a pedido dos EUA.
A China retaliou com a detenção de dois cidadãos canadianos por alegada espionagem, num episódio que congelou o diálogo diplomático durante mais de dois anos.





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