Detenção de Simões Pereira na Guiné-Bissau é "ilegalidade"
- 27/01/2026
"Penso que a prisão de Domingos Simões Pereira e de outros se trata de uma ilegalidade, tem de ser posta em causa em qualquer fórum internacional e espero que a libertação dele e dos outros presos políticos na Guiné-Bissau ocorra o mais depressa possível", referiu à Lusa, na cidade da Praia, Cabo Verde.
Segundo referiu, tal prisão trata-se de "uma afronta moral, por se tratar não só de uma ilegalidade, mas também de uma privação de liberdade" sem justificação, "nem a nível oficial".
Carlos Lopes recordou que participou com Simões Pereira no projeto Terra Ranka, apresentado à comunidade internacional, demonstrando que "havia grande possibilidade de mobilização de recursos para desenvolver a Guiné-Bissau", mas que "infelizmente não pôde ser levado a cabo".
Agraciado, hoje, com o prémio Amílcar Cabral pela Universidade de Cabo Verde (UniCV), o economista foi questionado pela plateia e referiu que a Guiné-Bissau é um de "16 países africanos que organizaram eleições nos últimos três anos excluindo os opositores".
A Guiné-Bissau espelha também outra tendência: "um crescimento muito alto e, muitas vezes, em países que são extremamente mal governados. E é o caso da Guiné-Bissau. Temos um crescimento que anda à volta dos 4% por ano", com acesso a crédito através do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), que o Estado pode transformar "em viagens privadas de um Presidente. E o PIB cresce".
"O crescimento é baseado pura e simplesmente num consumo que não tem nada de transformador", explicou.
"O Governo da Guiné-Bissau tem uma qualidade tão medíocre, é de uma afronta a todos os princípios institucionais básicos que não merece muita consideração", acrescentou, lamentando a falta de atenção dada ao seu país na arena global.
África é rica em juventude, mas, segundo Carlos Lopes, são jovens que dão prioridade a objetivos imediatos, algo que pode ser aproveitado por derivas autoritárias, porque, fazer política "para longo prazo, concebida com racionalidade, não mobiliza os jovens" como aquilo que desejam imediatamente.
O economista guineense, antigo secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), foi uma das mais recentes vozes a pedir a libertação de Domingos Simões Pereira.
Na sexta-feira, o Presidente angolano, João Lourenço, exigiu a "libertação incondicional" do presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), detido na sequência do golpe militar de 26 de novembro de 2025, na Guiné-Bissau, um dia antes da divulgação dos resultados eleitorais das eleições de 23 de novembro.
Também na última semana, o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, apelou à liberdade para os presos políticos na Guiné-Bissau, "sobretudo de Domingos Simões Pereira", defendendo diálogo para garantir a democracia.
Os militares têm respondido, classificando os apelos como "ingerências externas" nas questões políticas guineenses.
Simões Pereira está detido e incomunicável desde o dia do golpe, sem acusação formada.
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