Donald Trump nomeia Tony Blair e Marco Rubio para Conselho de Paz em Gaza
- 17/01/2026
O enviado especial norte-americano Steve Witkoff também fará parte do órgão, assim como o genro do Presidente, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
O enviado especial de Trump para a Faixa de Gaza e Ucrânia, Steve Witkoff, tinha anunciado na quarta-feira que o plano norte-americano para o fim da guerra no território tinha entrado na segunda fase.
Esta fase está centrada no desarmamento do movimento islamita palestiniano Hamas e inclui a formação do Conselho de Paz para Gaza, que irá supervisionar um comité palestiniano de tecnocratas, temporário e apolítico, que começou também hoje os seus trabalhos.
"O Conselho de Paz desempenhará um papel essencial no cumprimento dos 20 pontos do plano presidencial, proporcionando supervisão estratégica, mobilizando recursos internacionais e garantindo a responsabilização à medida que Gaza transita do conflito para a paz e o desenvolvimento", refere um comunicado da Casa Branca.
"Para concretizar a visão do Conselho de Paz sob a Presidência Trump, foi formado um conselho executivo fundador, composto por líderes nas áreas da diplomacia, desenvolvimento, infraestruturas e estratégia económica", adianta.
Além de Blair, Rubio, Witkoff e Kushner, integra o conselho Robert Gabriel, vice-conselheiro de segurança nacional norte-americano.
Também o bilionário norte-americano Marc Rowan terá assento no Conselho.
Cada um dos nomeados, refere a Casa Branca, supervisionará "uma pasta definida, crucial para a estabilização e o sucesso a longo prazo de Gaza, incluindo, entre outros, o desenvolvimento, a governação, as relações regionais, a reconstrução, a atração de investimento, o financiamento em grande escala e a mobilização de capital".
Um comité tecnocrático composto por 15 personalidades palestinianas deverá administrar provisoriamente o território, sob a tutela do Conselho de Paz.
Este recém-criado comité palestiniano de governação da Faixa de Gaza reuniu-se hoje pela primeira vez, no Cairo, noticiou a al-Qahera News, um meio de comunicação social ligado ao Egito.
Os trabalhos de reconstrução "assentarão essencialmente" no plano egípcio que envolve árabes e islâmicos, afirmou o presidente do comité, Ali Shaath, antigo vice-ministro palestiniano, numa entrevista à al-Qahera News.
O plano foi aprovado em março, com o apoio de países europeus, em resposta à proposta então apresentada por Trump de assumir o controlo do território palestiniano e expulsar os seus habitantes.
O documento prevê a reconstrução da Faixa de Gaza sem deslocar os seus mais de dois milhões de habitantes.
"O dossiê da habitação é muito importante depois da destruição de 85% das casas", sublinhou Ali Shaath, engenheiro civil, destacando a necessidade de devolver a "dignidade ao cidadão palestiniano sentado em tendas levadas pelo vento".
A segunda fase do acordo de cessar-fogo, que começou em 10 de outubro na Faixa de Gaza, prevê igualmente o desarmamento do Hamas, a retirada progressiva das tropas israelitas e o destacamento de uma força internacional de estabilização.
Trump afirmou na última noite que será obtido um "acordo abrangente de desmilitarização" com o Hamas, incluindo a "entrega de todas as armas e o desmantelamento de todos os túneis" em Gaza.
O Presidente alegou que, desde o cessar-fogo, os Estados Unidos contribuíram para o envio de níveis recorde de ajuda humanitária para Gaza, chegando à população civil a uma velocidade e escala históricas.
Há meses que as organizações não-governamentais a operar no território palestiniano lamentam os obstáculos impostos por Israel para deixar entrar mantimentos essenciais.
Um alto responsável do Hamas saudou na quinta-feira a formação d0 comité de peritos encarregado de administrar a Faixa de Gaza após a guerra, afirmando que este contribuirá para consolidar o cessar-fogo e impedir um regresso aos combates.
Israel declarou a 07 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o movimento islamita palestiniano Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando 251.
A guerra de retaliação israelita no enclave palestiniano fez mais de 71.400, na maioria civis - entre os quais mais de 20 mil crianças -, e mais de 171 mil feridos, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
Os mais de dois milhões de habitantes do enclave palestiniano viviam já anteriormente com dificuldades, causadas por outros bombardeamentos israelitas e com o embargo imposto por Israel a partir de 2007, quando o Hamas chegou ao poder.
[Notícia atualizada às 22h56]
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