Espanha. Funcionário elogiado pela calma após acidente: "Confiem em nós"
- 20/01/2026
Os passageiros de um dos vagões afetados pelo acidente ferroviário que ocorreu no domingo, em Adamuz, Córdoba, gravaram as instruções de um funcionário nos momentos a seguir à tragédia, que é uma das mais devastadoras de Espanha. O vídeo está a ser partilhado nas redes sociais.
"Quando considerarmos seguro sair, sairemos. Agora, é mais seguro ficar dentro do comboio", ouve-se o funcionário dizer, de forma calma, aos passageiros.
E continuou: "Não sabemos as condições das vias em nenhum dos lados. Estejam preparados e, por favor, confiem em nós. Temos muitos anos de experiência".
De notar que calma do funcionário, com um colete refletor da empresa Iryo, tem sido muito elogiada um pouco por toda a internet.
O homem referiu ainda que qualquer rebeldia não iria "adiantar" e que, por isso, era necessário trabalhar em conjunto. "Se quiser ficar de olho na pessoa ao lado ou atrás ou até de um grupo, tudo bem, mas, acima de tudo, fiquem juntos e atentos", disse.
E alertou: "Cuidado com as baterias dos telemóveis e lanternas porque vocês vão precisar, ok? Precisamos da cooperação de todos".
O funcionário questionou ainda se algum dos passageiros era médico por forma a ajudar quem precisasse, pedindo também para que as pessoas ficasse sentadas.
Recorde-se que o acidente ocorreu por volta das 19h45 de domingo, no município de Adamuz e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, desde Madrid para Huelva, perto da fronteira com Portugal, com o Algarve).
Os três últimos vagões do comboio da Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.
Sánchez decreta três dias de luto em Espanha
"Hoje é um dia de luto por toda a Espanha. Os nossos pensamentos estão com as vítimas e com as suas famílias", disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, numa conferência de imprensa, realizada no local do acidente, onde também destacou o trabalho dos serviços de emergência.
E acrescentou: "Perguntamo-nos o que é que aconteceu e como é que aconteceu. O tempo e o trabalho dos especialistas dar-nos-ão as respostas. Vamos descobrir a verdade com total transparência e torná-la pública".
Pedro Sánchez decretou três dias de luto nacional, que começam às 00h00 de hoje e terminam às 24h00 de quinta-feira, prometendo estar ao lado das vítimas deste acidente ferroviário, que é já considerado um dos mais devastadores da história de Espanha.
O que se sabe?
De recordar que há, pelo menos, 39 vítimas mortais e dezenas de passageiros hospitalizados, incluindo crianças.
O acidente aconteceu por volta das 19h45 locais (18h45, em Lisboa) quando algumas composições de um comboio da empresa privada Iryo, que ligava Málaga a Madrid, descarrilaram e invadiram outra via, num momento em passava outro comboio, em sentido contrário, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.
De acordo com o jornal espanhol El País, entre as vítimas mortais está o maquinista do comboio Alvia, de 27 anos. Já o chefe dos Bombeiros de Córdoba explicou que, durante o resgate, havia pessoas presas com cortes, contusões, fraturas expostas e que a destruição do comboio dificultou o acesso às vítimas.
As causas do incidente são ainda desconhecidas. No entanto, há já uma comissão especializada a trabalhar para apurar o que aconteceu.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, revelou que, após falar com especialistas, o acidente "é tremendamente estranho", uma vez que ocorreu "numa reta da linha ferroviária", justificando que o comboio que descarrilou é "praticamente novo, com menos de quatro anos" e a linha férrea também havia sido "renovada".
Adiantou ainda que foram investidos 700 mil euros na renovação das ferrovias e que as melhorias no local onde ocorreu o acidente tinham sido terminadas em maio do ano passado.
De notar que a inspeção do comboio italiano Iryo, fabricado em 2022, tinha acontecido no dia 15 de janeiro - três dias antes do acidente.





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