Espanha. Luto na segunda maior rede de alta velocidade do mundo
- 20/01/2026
Felipe VI, o chefe de Estado de Espanha, e a mulher, Letizia, vão deslocar-se à zona do acidente, que envolveu dois comboios de alta velocidade quando se cruzaram perto da localidade de Adamuz, localizada na província de Córdova, Andaluzia, no sul do país.
A visita dos monarcas coincide com o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo Governo de Espanha por causa do acidente, em que cerca de 150 pessoas ficaram feridas, 122 foram atendidas em hospitais e 41 permanecem internadas, 12 delas em unidades de cuidados intensivos.
Três vagões de um comboio da empresa privada Iryo, em que viajavam cerca de 300 pessoas, descarrilaram, pelas 19:45 de domingo (18:45 em Lisboa), ao entrar num local conhecido como "apeadeiro de Adamuz", numa reta de centenas de metros e onde existe uma mudança de agulhas.
As três carruagens descarriladas tombaram em cima do carril do lado, por onde, apenas 20 segundos depois, passou um comboio da empresa pública Renfe, em sentido contrário, que levava cerca de 200 pessoas a bordo.
Após a colisão com as composições tombadas na via, as primeiras duas carruagens da Renfe foram projetadas para um aterro e ficaram "praticamente desintegradas", disse o presidente da empresa, Álvaro Fernández Heredia, e transformadas "num amontoado de ferro", nas palavras do presidente do governo regional da Andaluzia, Juanma Moreno.
O presidente da Renfe afastou a possibilidade de falha humana ou de excesso de velocidade e diversas fontes e autoridades consideraram que um problema no comboio da Iryo ou na via são as hipóteses mais plausíveis para o acidente, que o ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, considerou ser "tremendamente estranho".
O ministro realçou que o acidente ocorreu numa reta, numa via que teve obras de renovação totais recentes, que terminaram em maio passado, e que o comboio da Iryo era "praticamente novo", construído em 2022 e, de acordo com a empresa, com a última revisão e manutenção feita em 15 de janeiro.
A Iryo considerou também estranho o acidente e realçou que nunca tinha tido um sinistro com vítimas.
"Vamos dar com a verdade", prometeu o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, na segunda-feira, em Adamuz, depois de admitir que Espanha está a perguntar-se "como foi possível acontecer esta tragédia".
"Vamos conhecer a resposta e com absoluta transparência e com claridade daremos a conhecê-la à opinião pública", acrescentou.
Espanha orgulha-se de ter a segunda maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, a seguir à China.
Este acidente é considerado o maior de sempre e o primeiro com vítimas mortais nesta rede de alta velocidade, cuja primeira ligação foi inaugurada em 1992, entre Madrid e Sevilha.
Num acidente em 2013 em Santigo de Compostela morreram 80 pessoas, mas nem a linha era então de alta velocidade, nem o comboio que descarrilou, considerado rápido, mas não de alta velocidade.
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