EUA. Suspeito de incêndio em sinagoga atingiu-a pelos "laços judaicos"
- 13/01/2026
O FBI afirmou no Tribunal Distrital dos EUA no Mississípi, no sul, que o suspeito confessou ter ateado fogo ao interior do edifício "devido aos laços judaicos do local".
O incêndio do fim de semana atingiu a Congregação Beth Israel, em Jackson, na madrugada de sábado.
Nenhum membro da congregação ou bombeiro ficou ferido no incêndio.
Imagens de câmaras de segurança divulgadas hoje pela sinagoga mostraram uma pessoa mascarada e encapuzada a usar um bidon de gasolina para derramar um líquido no chão e num sofá no átrio do edifício.
Em depoimento aos agentes policiais, Stephen Spencer Pittman referiu-se à sinagoga como a "sinagoga de Satanás".
Durante este depoimento com representantes do corpo de bombeiros de Jackson e do gabinete do xerife do condado de Hinds, Pittman "admitiu ter ateado um incêndio dentro do edifício da Congregação Beth Israel", refere a declaração prestada em tribunal.
O incêndio danificou gravemente a biblioteca e os escritórios da sinagoga histórica, de acordo com a agência Associated Press (AP).
Um rolo da Torá que sobreviveu ao Holocausto estava atrás de um vidro e não foi danificado pelo fogo, segundo a congregação.
Cinco rolos da Torá - os pergaminhos sagrados com o texto dos cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica - localizados no interior do santuário estavam a ser avaliados quanto a danos causados pelo fumo.
Dois rolos da Torá no interior da biblioteca, onde os danos foram mais severos, foram destruídos, segundo um representante da sinagoga.
O presidente da congregação, Zach Shemper, prometeu reconstruir a sinagoga e disse que várias igrejas ofereceram os seus espaços para os serviços religiosos durante o processo de reconstrução.
"Sendo a única sinagoga de Jackson, a Beth Israel é uma instituição querida, e é a comunhão dos nossos vizinhos e da comunidade em geral que nos ajudará a ultrapassar isto", frisou Shemper.
Com exceção do cemitério, todos os aspetos da vida judaica em Jackson estavam sob o teto da Beth Israel.
O edifício modernista de meados do século XX não albergava apenas a congregação, mas também a Federação Judaica, uma organização sem fins lucrativos que presta serviços sociais e filantropia e é o centro da vida institucional judaica na maioria das cidades dos EUA.
O edifício também albergava o Instituto da Vida Judaica do Sul, que fornece recursos às comunidades judaicas em 13 estados do sul.
Um memorial do Holocausto fica ao ar livre, atrás do edifício da sinagoga.
A congregação Beth Israel foi fundada em 1860 e adquiriu a sua primeira propriedade, onde construiu a primeira sinagoga do Mississipi após a Guerra Civil.
Em 1967, a sinagoga mudou-se para a sua localização atual, onde foi alvo de um atentado bombista perpetrado por membros do Ku Klux Klan local pouco tempo depois da mudança.
Dois meses depois, a casa do líder da sinagoga, o rabino Perry Nussbaum, foi também bombardeada devido à sua oposição declarada à segregação e ao racismo, numa altura em que a oposição à segregação racial podia ser perigosa no sul profundo dos Estados Unidos.
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