EUA tarifam países que negoceiem com Teerão? "Vingança contra o povo"
- 15/01/2026
Estas declarações surgem num contexto de ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de uma possível intervenção militar no Irão para deter a violenta repressão desencadeada por uma onda de protestos, que fez mais de 2.000 mortos.
"O povo iraniano é sujeito a sanções económicas cruéis e ilegais, bem como a pressões por parte dos Estados Unidos e de alguns dos seus aliados, há mais de 75 anos, sob diversos pretextos, o que reflete um ressentimento institucionalizado contra o povo iraniano dentro do sistema de formulação de políticas e de tomada de decisões dos Estados Unidos", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, num comunicado publicado nas redes sociais.
Sustentou também que as sanções norte-americanas "ilegais e desumanas" entram "em conflito" com os princípios e normas internacionais, sublinhando que tais medidas "são consideradas um crime contra a humanidade, dado que violam os direitos fundamentais de todos e cada um dos cidadãos iranianos".
"Os responsáveis por estas sanções devem prestar contas pelas consequências destes crimes", defendeu Baqaei, e alertou igualmente para "os perigosos efeitos das medidas coercivas unilaterais dos Estados Unidos sobre o sistema de comércio internacional", antes de pedir à ONU que "cumpra o seu dever de proteger o Estado de Direito a nível internacional".
Por fim, o porta-voz da diplomacia do Irão salientou que "a nação iraniana, apoiada no seu poder e valiosa experiência perante ataques e medidas opressivas, continuará firme no caminho do progresso e do desenvolvimento do país", segundo o comunicado.
Trump anunciou na segunda-feira a imposição "com efeito imediato" de uma tarifa aduaneira de 25% a "qualquer país que faça negócios" com Teerão - uma medida imediatamente criticada pela China -, no âmbito das suas ações e ameaças ao Irão devido à mortífera repressão de protestos no país centro-asiático.
A organização não-governamental Ativistas de Direitos Humanos (HRA, na sigla em inglês) indicou na terça-feira que 1.850 pessoas, entre as quais nove crianças, morreram na sequência da repressão dos protestos e elevou o número de detidos pelas forças de segurança iranianas para mais de 16.700.
O número de vítimas mortais é muito superior às 734 denunciadas pela organização Direitos Humanos Irão (IHR, na sigla em inglês).
Segundo indicou hoje a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, o número de mortes nos protestos contra o regime iraniano cifrou-se em 2.571.
De acordo a organização não-governamental (ONG) criada por exilados iranianos, 2.403 dos mortos são manifestantes e 147 elementos ligados às forças de segurança e ao Governo.
As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de instigarem os protestos e apoiarem os distúrbios contra o regime teocrático vigente no país desde a revolução islâmica, em 1979, que depôs a monarquia autocrática pró-ocidental liderada pelo xá Mohammad Reza Pahlevi.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, afirmou na segunda-feira que as manifestações se tornaram violentas para dar a Trump "uma desculpa" para uma intervenção militar no país.
Araqchi sublinhou ainda que "a situação está sob o controlo" das autoridades e das forças de segurança, ao mesmo tempo insistindo que Teerão "não quer guerra, mas está totalmente preparada para uma" e propondo "negociações justas" com os Estados Unidos, após as ameaças de Trump de um possível ataque armado ao território iraniano.
O Irão está a ser agitado por uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e agentes de setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, e que alastrou depois a mais de 100 cidades.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante 2025, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente afetada pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
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