Forças russas começam a retirar-se das bases no nordeste da Síria
- 28/01/2026
Jornalistas da agência Associated Press (AP) visitaram uma base próxima ao aeroporto de Qamishli, na terça-feira, e encontraram-na sob vigilância de combatentes das Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês), que disseram que os russos começaram a retirar equipamento nos últimos dias.
O interior do que antes era o alojamento dos soldados estava praticamente vazio, com alguns objetos espalhados, incluindo equipamentos de exercício, proteína em pó e algumas roupas, escreve a AP.
Ahmed Ali, um combatente das SDF destacado no local, disse que as forças russas começaram a retirar-se das posições ao redor do aeroporto há cinco ou seis dias, transportando o equipamento através de um avião de carga.
"Não sabemos se o destino era a Rússia ou a base aérea de Hmeimim", disse Ahmed, referindo-se à principal base russa na costa da Síria. "Eles ainda têm presença em Qamishli e têm vindo a retirar-se gradualmente", acrescentou.
Uma caravana humanitária da ONU vinda de Damasco chegou a Qamishli na terça-feira, indicou o porta-voz da ONU Stéphane Dujarric.
"Entregou alimentos, roupas quentes e cobertores, entre outros suprimentos", acrescentou, adiantando que mais ajuda está prevista para os próximos dias.
Dujarric notou que as Nações Unidas também continuam a distribuir alimentos, pão e dinheiro noutras zonas, incluindo locais com deslocados.
Moscovo não fez qualquer declaração oficial sobre a retirada das forças de Qamishli.
A Rússia estabeleceu relações com o novo Governo central sírio em Damasco depois do ex-presidente Bashar Assad ter sido deposto em dezembro de 2024, numa ofensiva rebelde liderada pelo agora presidente interino Ahmad al-Sharaa, apesar de Moscovo ter sido um aliado próximo de Assad.
A intervenção de Moscovo em apoio a Assad, há uma década, mudou o rumo da guerra civil na Síria, mantendo o ex-líder no poder. A Rússia não tentou combater a ofensiva rebelde no final de 2024, mas concedeu asilo a Assad depois de este fugir do país.
Apesar de terem estado em lados opostos durante a guerra civil, os novos governantes em Damasco adotaram uma abordagem pragmática nas relações com Moscovo, que manteve a presença nas bases aéreas e navais na costa síria.
Ahmad al-Sharaa deverá visitar hoje Moscovo e reunir-se com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin.
No início do mês, eclodiram combates entre as SDF e as forças governamentais, após o fracasso das negociações sobre um acordo para a fusão das forças de ambos os lados. Um cessar-fogo está agora em vigor e tem sido amplamente respeitado.
Após o término de uma trégua de quatro dias, no sábado, os dois lados anunciaram que o cessar-fogo tinha sido prorrogado por mais 15 dias.
O Ministério da Defesa da Síria disse em comunicado que a prorrogação era em apoio a uma operação das forças norte-americanas para transferir militantes acusados do Estado Islâmico, que estavam detidos em prisões no nordeste da Síria, para centros de detenção no Iraque.
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