França: Bebé morre após beber leite Nestlé. Aberta investigação criminal
- 23/01/2026
O Ministério Público especificou que a investigação pretende apurar se o leite ingerido pelo lactente continha a toxina cereulida, uma toxina de origem bacteriana que pode causar problemas intestinais, como diarreia e vómitos.
A provável presença desta toxina levou as autoridades francesas a ordenar a retirada de marcas de leite em pó da Nestlé, como Nidal e Guigoz, sendo esta última supostamente ingerida pelo bebé entre 05 e 07 de janeiro.
O bebé, que não tinha duas semanas de vida (nasceu a 25 de dezembro), foi transferido a 07 de janeiro para os serviços de urgência de um hospital nos arredores de Bordéus e faleceu no dia seguinte.
A possível presença de cereulida está também na origem da retirada, nas últimas semanas, de leites em pó do grupo francês Danone em Singapura e da multinacional francesa da indústria agroalimentar Lactalis em 18 países, incluindo Espanha e vários da América Latina.
A ONG 'Food Watch' anunciou que apresentará uma denúncia para esclarecer porque é que este leite infantil estava à venda, afirmando que era conhecida a circulação desta bactéria há dois meses.
Segundo a 'Food Watch', há "milhões de lactentes em todo o mundo afetados".
A organização acusou concretamente a Nestlé de "flagrante falta de transparência nas retiradas de produtos de forma gradual desde dezembro".
Além disso, denunciou a multinacional suíça por "retiradas silenciosas" em alguns países, nas quais não teria informado o consumidor.
Em declarações feitas em meados de janeiro, o responsável da Nestlé, Philipp Navratil, assegurou que, "até ao momento, nenhum caso de doença" relacionado com os produtos Nestlé foi confirmado e lembrou que a retirada dos leites de fórmula foi "uma medida de precaução".
Em todo caso, a Navratil apresentou os seus "sinceros pedidos de desculpa pelo incómodo e perturbações" que a marca possa ter causado a pais, familiares, profissionais de saúde e clientes.
Os ministérios da Agricultura e da Saúde também esclareceram que "neste momento não se demonstrou qualquer ligação de causalidade entre o consumo dos leites infantis afetados e o aparecimento de sintomas nos latentes", numa referência aos produtos da Nestlé e da Lactalis.
Ambos os ministérios, num comunicado conjunto emitido hoje, assinalaram que os serviços do Estado "estão plenamente mobilizados para um acompanhamento reforçado da situação".
O Governo francês indicou que as investigações realizadas até agora permitiram identificar um ingrediente como fonte da contaminação, "um óleo rico em ácido araquidónico, útil para o bom desenvolvimento dos bebés, produzido por um fornecedor chinês".
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