Futuro da Gronelândia em discussão na Casa Branca. O que está em jogo?
- 14/01/2026
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia serão recebidos na quarta-feira pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio, na Casa Branca, para uma reunião que poderá definir o futuro daquele território. Mas o que se vai discutir?
O anúncio foi feito pelo chefe da diplomacia dinamarquesa esta terça-feira, no mesmo dia em que o primeiro-ministro da Gronelândia sublinhou que "estamos perante uma crise geopolítica", mas que, a ter de escolher, optaria pela Dinamarca em vez dos Estados Unidos.
O comentário não foi, aparentemente, bem recebido por Trump, que respondeu: "É um problema deles. Não sei quem ele é, não sei nada sobre ele, mas isso vai ser um grande problema."
O encontro contará também com a participação da conselheira de Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt.
A reunião terá lugar na Casa Branca e terá como anfitrião o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, explicou Lars Løkke Rasmussen.
Trump diz que vai ficar com Gronelândia "de uma forma ou de outra"
As pretensões do presidente dos Estados Unidos não são novas, mas o debate reacendeu-se após o ataque à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro.
Nos últimos dias, Donald Trump aumentou ainda mais as preocupações dinamarquesas e gronelandesas, declarando no domingo que iria tomar posse do território ártico "de uma forma ou de outra". A ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, solicitou uma reunião com Marco Rubio na semana passada.
Donald Trump encara uma anexação como a forma de os Estados Unidos garantirem a segurança do país contra a China e a Rússia, e acredita que a Dinamarca negligenciou a Gronelândia e a defesa do território autónomo.
Na segunda-feira, membros do parlamento norte-americano indicaram que uma delegação viajaria para Copenhaga na sexta-feira e no sábado, a caminho do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.
A anexação da Gronelândia significaria o fim da Aliança Atlântica, alertou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no início de janeiro.
A vasta ilha ártica, com uma população de 57 mil habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, e é considerada uma localização estratégica.
Os Estados Unidos têm uma base militar na Gronelândia, onde chegaram a ter mais de dez instalações militares, durante a Guerra Fria.
Gronelândia "não está à venda"
O primeiro-ministro da Gronelândia assegurou, na terça-feira, que o governo da região autónoma dinamarquesa optaria pela Dinamarca em vez dos Estados Unidos se tivesse de escolher, devido às pretensões de controlo do Presidente Donald Trump.
"Estamos perante uma crise geopolítica e, se tivermos de escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca neste preciso momento, escolhemos a Dinamarca", afirmou Jens-Frederik Nielsen em Copenhaga.
Nielsen falava durante uma conferência de imprensa em Copenhaga no âmbito de uma deslocação oficial à capital da Dinamarca, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
"A Gronelândia não quer que ninguém a possua nem que ninguém a controle", disse Nielsen, também citado pela agência espanhola EFE, na véspera de uma reunião em Washington sobre a ilha do Ártico.
A seu lado, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, considerou que não tem sido fácil resistir ao que qualificou de "pressão totalmente inaceitável" por parte do "aliado mais próximo", referindo-se aos Estados Unidos.
Nielsen disse que a Gronelândia é um Estado de direito e "não está à venda", uma das hipóteses sugeridas por Trump para os Estados Unidos assumirem o controlo da ilha, sendo a outra a tomada pela força.
O chefe do governo de Nuuk, a capital da Gronelândia, qualificou a situação atual como "muito, muito grave", devido à pressão exercida por Trump, que alega a segurança dos Estados Unidos para reclamar o controlo da ilha.
"O limite é que não se pode comprar a Gronelândia. Estamos unidos no reino com a Dinamarca e seremos sempre parte da aliança ocidental", afirmou Nielsen.
"O futuro da Gronelândia será decidido pelos gronelandeses, tal como consta no Estatuto de Autonomia. É com esta mensagem que viajamos amanhã [quarta-feira] para os Estados Unidos", acrescentou.
"A Gronelândia está no olho do furacão. Mas esta é também uma questão sobre a ordem mundial que conhecemos. Se esta cair, a Gronelândia e o resto do mundo enfrentarão desafios difíceis de combater", alertou Nielsen.
E o que querem os gronelandeses?
A Gronelândia, que integra o Reino da Dinamarca, pretende emancipar-se da tutela de Copenhaga, mas os dirigentes da ilha ártica avançam com cautela sob o olhar interessado de Donald Trump.
A rota para a independência da Gronelândia está claramente definida pela Lei da Autonomia de 2009.
O artigo 21.º estipula que, se o povo gronelandês decidir avançar, Nuuk e Copenhaga devem negociar um acordo que defina as modalidades da separação.
No centro das discussões estará a contribuição financeira anual de Copenhaga, de aproximadamente 4,5 mil milhões de coroas (cerca de 602 milhões de euros, ao câmbio atual), o que representa mais de um quinto do PIB (Produto Interno Bruto) da ilha.
Qualquer acordo terá de ser aprovado pelos parlamentos de ambos os países e, em última instância, ratificado por referendo na Gronelândia.
Pela parte da Dinamarca, não existe a intenção de manter a ilha, que é autónoma desde 1979, após décadas como colónia e, posteriormente, como departamento do reino.
Mette Frederiksen sublinhou que o desejo de independência é "legítimo e compreensível", embora a prioridade atual do Governo que chefia seja fortalecer a comunidade do reino, que inclui também as ilhas Faroé.
"O tempo não é para discussões internas. O tempo é de unidade e de continuar a construção da comunidade que conhecemos", afirmou Nielsen, em sintonia com Copenhaga.





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