Governo são-tomense procura financiamento para construção de aterro sanitário
- 13/01/2026
Segundo Nilda da Mata, o aterro sanitário será construído num terreno de cerca de 12 hectares, no distrito de Lobata, onde já "foi feito todo o levantamento" e "não há problemas em termos ambientais".
Nilda da Mata adiantou que está em curso uma consultoria pública, com apoio da União Europeia, que está a realizar "o estudo de viabilidade" para se avançar com a construção, assim que seja encontrado financiamento.
A ministra lamentou a fraca colaboração da população, associada à falta de meios para a recolha e tratamento adequado dos resíduos em tempo útil, o que tem permitido o surgimento de pequenas lixeiras espalhadas por quase todos os cantos e comunidades do país, num cenário marcado por mau cheiro, proliferação de moscas e fumo resultante de várias queimas ao longo do dia.
"Tem sido muito difícil. O comportamento cívico da população mudou bastante", sublinhou.
A ministra do Ambiente defendeu que "toda a gente tem que colaborar" e ameaçou recorrer à lei base do ambiente de 1999, que prevê o princípio de poluidor-pagador e outras normas que definem "multas" aos cidadãos comuns e operadores económicos que poluem o ambiente.
O local definido para a instalação do aterro está a ser contestado pelo presidente da Câmara distrital de Lobata, Euclides Buiu, que alega o facto de se encontrar numa área residencial e próximo de uma das praias de referência turística.
Em declaraçõs à Lusa, o autarca alertou que a "construção de um aterro para tratamento de lixo tem as suas consequências" e sublinhou que, em São Tomé e Príncipe, não se trata bem e misturam-se todos os lixos.
Por outro lado, levantou preocupações com o transporte de resíduos que serão recolhidos em outros distritos para serem depositados no futuro aterro.
Euclides Buiu disse que já manifestou esta posição ao Governo e que espera, nos próximos dias, analisar a situação com a ministra do Ambiente para se encontrar outro local, admitindo que seja no distrito.
Com a instalação do aterro sanitário, o Governo espera acabar com a principal lixeira ao ar livre do país, situada na localidade da Penha, a poucos quilómetros da capital são-tomense.
"Aqui queima-se lixo, pneus, até animais mortos. Isso dá cabo das pessoas. Muitas moscas entram em casa, de dia e de noite, só moscas. Mesmo agora, se for a casa, vejo apenas moscas", relatou um morador de Penha.
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