Indireta para Trump? "Preferimos o respeito aos valentões", diz Macron
- 21/01/2026
O presidente francês, Emmanuel Macron, discursou, esta terça-feira, no Fórum Económico Mundial, que se realiza em Davos, na Suíça, e aproveitou para, de forma indireta, responder às críticas do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, salientando que o "direito internacional é espezinhado" e que a "única lei que importa é a do mais forte".
De recordar que o presidente norte-americano divulgou mensagens enviadas pelo francês sobre uma proposta de uma reunião dos G7 em Paris, na quinta-feira, que incluiria representantes russos.
"É uma mudança de direção num mundo sem regras, onde o direito internacional é espezinhado e onde a única lei que parece importar é a do mais forte", afirmou, acrescentando que as "ambições imperiais" estão a ressurgir.
Emmanuel Macron referiu ainda que a Europa não deve ter hesitar quanto ao uso de instrumentos à sua disposição para proteger os seus interesses, tendo em conta as crescentes ameaças comerciais do presidente dos Estados Unidos.
"Vivemos tempos de paz, estabilidade e previsibilidades, mas caminhamos para a instabilidade e o desequilibro", notando que o conflito "se tornou algo normal".
Apesar de não se dirigir diretamente a Donald Trump, Macron destacou algumas guerras que estão a acontecer ou que já aconteceram, dizendo: "Ouvi dizer que algumas delas já foram resolvidas. Preferimos o respeito aos valentões".
Donald Trump expõe mensagem de Emmanuel Macron
A mensagem foi publicada por Donald Trump na sua rede social Truth Social e confirmada pelo gabinete de Macron, que a qualificou como "bem real", segundo a agência France-Presse. Na mesma comunicação, o chefe de Estado francês sugeriu igualmente a presença de representantes da Ucrânia, da Dinamarca - para debater divergências sobre a situação na Gronelândia - e da Síria.
"Meu amigo, estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Podemos fazer grandes coisas no Irão. Não compreendo o que estás a fazer na Gronelândia", escreveu Emmanuel Macron.
O presidente francês propôs ainda "organizar uma reunião do G7 em Paris, quinta-feira à tarde, após Davos (Suíça)", onde Trump estará a partir de quarta-feira.
"Posso convidar ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos à margem da reunião", acrescentou.
"Vamos jantar juntos em Paris na quinta-feira, antes de regressares aos Estados Unidos", convidou ainda Macron, assinando simplesmente como "Emmanuel".
Donald Trump provoca líderes europeus...
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já habituou os seus seguidores - e não só - a manipular imagens com o uso da Inteligência Artificial (IA). Na sua mais recente publicação, em tom de provocação, o republicano surge com vários líderes europeus, na Sala Oval da Casa Branca, a olhar... para um quadro onde a Gronelândia tem as cores dos EUA.
A imagem foi partilhada por Donald Trump na sua plataforma Truth Social, onde estão, por exemplo, o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o chanceler alemão, Friedrich Merz, ou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
Aliás, este encontro do norte-americano com os vários líderes europeus aconteceu há uns meses. No entanto, o tema não foi a Gronelândia, mas sim a guerra na Ucrânia.
De notar que esta edição do Fórum de Davos está a ser marcada pela ameaça dos Estados Unidos de se apropriarem da Gronelândia, território dinamarquês sob a égide da NATO, argumentando que a segurança e a vigilância da ilha ártica foram negligenciadas nos últimos anos e que o controlo desta podia cair nas mãos da China ou da Rússia.
A par da ameaça norte-americana sobre a Gronelândia, a imposição de tarifas adicionais, como anunciado por Trump, a vários países aliados que se opõem àquela ambição norte-americana está também a marcar a reunião.
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