Israel. Famílias de vítimas criticam comissão sobre 7 de outubro de 2023
- 19/01/2026
O Governo israelita anunciou, em novembro, a criação de uma "comissão independente" para investigar as falhas que permitiram o ataque do grupo islamita palestiniano em território de Israel, que resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no rapto de outras 251 em Israel e iniciou a guerra de Gaza.
A comissão não será, no entanto, uma comissão estatal.
Enquanto numa comissão estatal os membros são nomeados pelo presidente do Supremo Tribunal, neste caso, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, será responsável por nomear e presidir o comité ministerial que definirá o calendário e os temas a investigar.
A decisão gerou fortes críticas por parte da oposição e das famílias das vítimas, que argumentaram que o primeiro-ministro irá dar prioridade ao seu futuro político em detrimento de uma investigação independente e transparente.
O debate sobre o projeto de lei que cria a comissão começou hoje na comissão Constitucional do Knesset (parlamento israelita), tendo sido aberto polo membro do partido de extrema-direita Sionismo Religioso e presidente da comissão, Simcha Rothman.
"Estou plenamente consciente de que há famílias enlutadas entre nós e pessoas cujos mundos foram destruídos", começou Rothman, segundo um comunicado do Knesset.
"Permitirei que o debate se realize, mas não permitirei manifestações que tentem interromper o processo legislativo, independentemente de posições ou opiniões pessoais", advertiu.
Ao mesmo tempo, as famílias das vítimas realizavam um protesto em frente ao edifício do Knesset, empunhando cartazes a exigir uma comissão estatal e exibindo fotografias das pessoas mortas durante os ataques do Hamas.
Segundo o jornal israelita Ynet, após o início do debate, as famílias anunciaram, num ato simbólico, que iriam criar uma comissão parlamentar paralela para uma investigação estatal.
"Enquanto o deputado Rothman e os membros do Governo de encobrimento continuam a esconder a verdade, nós apresentaremos um reflexo de como uma comissão do Knesset deveria ser num mundo decente", afirmou o membro do Conselho de Outubro Rafi Ben Shitrit, cujo filho, Elroi, foi morto no ataque liderado pelo Hamas.
O jornal adiantou que o líder da oposição e do partido Yesh Atid, Yair Lapid, esteve presente no protesto para demonstrar o seu apoio às famílias, garantindo-lhes que a oposição não iria cooperar com o plano do Governo.
"As pessoas sentadas na sala ao lado não são os investigadores, mas sim os investigados. A oposição não vai colaborar com isto", afirmou Lapid.
A comissão em debate no Knesset seria composta por seis membros nomeados no prazo de 14 dias pelo parlamento, onde o Governo tem maioria. Caso isso falhasse, o Governo e a oposição nomeariam três membros cada.
Em dezembro passado, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, concordaram em fundir as investigações que ambos tinham ordenado sobre as falhas de segurança de 07 de outubro de 2023.
A decisão foi tomada depois de Zamir ter destituído vários generais e oficiais de alta patente da reserva militar, responsabilizando-os pessoalmente pela falha militar nessa data.
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