Líder supremo do Irão acusa manifestantes de querer agradar a Trump
- 09/01/2026
Num discurso transmitido hoje pela televisão estatal, o governante supremo do Irão, de 86 anos, garantiu que as autoridades vão reprimir os manifestantes.
A intervenção pública inesperada de Khamenei demonstra a seriedade com que as autoridades estão a encarar os protestos, que levaram o Governo iraniano a cortar a internet e as linhas telefónicas com o exterior.
Manifestantes iranianos gritaram e marcharam pelas ruas desde a noite de quinta-feira até à manhã de hoje, após um apelo do príncipe herdeiro exilado do país para que as pessoas saíssem à rua em protesto contra a República Islâmica.
Segundo avançou a televisão estatal iraniana, "agentes terroristas" dos Estados Unidos e de Israel atearam fogo e provocaram violência, tendo garantido que houve vítimas, mas sem avançar pormenores.
Vídeos curtos divulgados na Internet por ativistas mostram alegadamente manifestantes a cantar contra o Governo do Irão à volta de fogueiras, enquanto destroços cobrem as ruas da capital, Teerão, e de outras áreas.
A dimensão total das manifestações não pôde ser ainda determinada devido ao bloqueio das comunicações, mas os protestos desta madrugada representam uma nova escalada da contestação iniciada a 28 de dezembro contra o custo de vida numa economia debilitada e sujeita a sanções económicas.
Os protestos iniciais contra as condições de vida evoluirão entretanto para uma contestação ao regime, transformando-se no desafio mais significativo ao Governo dos últimos anos.
As manifestações desta madrugada representaram também o primeiro teste para saber se a população iraniana seria influenciada pelo ex-príncipe herdeiro Reza Pahlavi, cujo pai fugiu do Irão pouco antes da Revolução Islâmica de 1979.
Pahlavi que convocou protestos para as noites de quinta-feira e de hoje, pedindo aos iranianos que fossem para as ruas gritar contra a república, conseguindo uma adesão inesperada.
As manifestações incluíram gritos de apoio ao Xá, algo que, até há pouco tempo, poderia resultar em pena de morte, mas que agora sublinha a raiva dos contestatários.
Quando o relógio marcou as 20:00 de quinta-feira, os bairros de Teerão explodiram em cânticos, disseram testemunhas citadas ela agência de notícias norte-americana AP.
Os cânticos incluíam frases como "Morte ao ditador!" e "Morte à República Islâmica!", além de elogios ao Xá como "Esta é a última batalha! Pahlavi voltará!".
Milhares de pessoas podiam ser vistas nas ruas antes de todas as comunicações com o Irão serem cortadas.
"Os iranianos exigiram a sua liberdade esta noite. Em resposta, o regime no Irão cortou todas as linhas de comunicação", disse Pahlavi.
"Desligou a internet. Cortou as linhas telefónicas fixas. Pode até tentar interferir com os sinais de satélite", reiterou.
Até ao momento, a violência em torno das manifestações fez pelo menos 42 mortos e mais de 2.270 detidos, segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA.
Leia Também: Líder supremo iraniano alerta que protestos fazem parte de "guerra suave"





.jpg)






















































