Líder supremo ordena "mão dura" contra os "distúrbios" no Irão
- 03/01/2026
"Que algumas pessoas, sob diversos títulos e nomes, ajam com o objetivo de destruir e gerar insegurança, colocando-se atrás de comerciantes crentes e revolucionários e abusando dos seus protestos para provocar distúrbios, não é de todo aceitável", afirmou Khameneí numa cerimónia que assinala o sexto aniversário da morte do general da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani, morto a 03 de janeiro de 2020 num ataque dos Estados Unidos com drones no aeroporto de Bagdade.
A mais alta autoridade política e religiosa do Irão apelou a "pôr no seu lugar" os agitadores, que considerou agentes de países inimigos, numa alusão a Israel e aos Estados Unidos.
"Que um grupo de indivíduos incitados, mercenários do inimigo, se coloque atrás dos comerciantes e lance palavras de ordem contra o Islão, contra o Irão e contra a República Islâmica é verdadeiramente grave", acrescentou.
No entanto, Khameneí pediu às autoridades que distingam entre os agitadores e os comerciantes que protestam pelo agravamento da situação económica do país.
"Não se pode confrontar a República Islâmica nem o sistema islâmico em nome do bazar e dos comerciantes", sublinhou, numa referência às palavras de ordem que têm sido entoadas contra a República Islâmica nas manifestações que decorrem desde domingo passado em dezenas de cidades do país.
As concentrações começaram por ser protagonizadas pelos comerciantes do Grande Bazar de Teerão e de outros espaços comerciais do centro da capital, mas rapidamente se alargaram a outras cidades, envolvendo diversos setores da sociedade.
Nos primeiros seis dias de mobilizações, pelo menos oito pessoas perderam a vida em confrontos com as forças de segurança, segundo a organização não-governamental opositora Hrana, com sede nos Estados Unidos.
Em alguns vídeos publicados pela Hrana e outros ativistas nas redes sociais ouvem-se disparos das forças antimotim contra os manifestantes.
O Irão atravessa uma crise económica, marcada por uma inflação anual de 42%, enquanto a inflação homóloga em dezembro superou os 52%.
A moeda local, o rial, tem vindo a desvalorizar-se, pressionado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
As manifestações de protesto no Irão levaram na sexta-feira o Presidente norte-americano, Donald Trump, a avisar Teerão que não ficará passivo a assistir ao que considera ser "um ato de repressão" do regime.
A atitude levou o representante diplomático do Irão junto das Nações Unidas a enviar uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, em protesto contra o que considerou uma ingerência de Trump.
Na sexta-feira de manhã, Trump ameaçou que, "se o Irão disparar contra manifestantes pacíficos e matá-los violentamente, como costuma fazer, os Estados Unidos da América irão em seu auxílio", adicionando que os militares norte-americanos estão "prontos, armados e preparados para intervir".
O diplomata iraniano afirmou que as ameaças de Trump "demonstram claramente um padrão consistente de comportamento ilegal por parte dos Estados Unidos e constituem uma ameaça clara, explícita e ilegal de uso da força contra um Estado soberano".
Iravani apelou a Guterres para que condene "inequívoca e firmemente" as palavras de Trump e obrigue os Estados Unidos a cumprir as suas obrigações ao abrigo da Carta das Nações Unidas.
"A República Islâmica do Irão exercerá os seus direitos de forma decisiva e proporcional", sublinhou o diplomata, na carta divulgada pela agência de notícias oficial iraniana IRNA.
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