Moçambique aguarda o bom tempo para salvar as populações sitiadas
- 16/01/2026
"Vamos aguardando a melhoria das condições climatéricas que possam permitir a circulação rodoviária e também a navegabilidade aérea. Mas enquanto isso, temos feito tudo para salvar as populações que se encontram sitiadas e esta questão de pessoas sitiadas temos feito assistência em duas formas: uma é resgatar as pessoas, mas enquanto não conseguimos resgatar, temos feito assistência alimentar", disse o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
O chefe do Estado falava na abertura da sessão extraordinária do Conselho de Ministros para avaliar a situação da atual época chuvosa, que já matou 94 pessoas no país desde outubro.
Nas declarações, Chapo referiu-se às condições de navegabilidade que impedem o uso de meios aéreos para salvar vidas, afirmando que o Governo está a apoiar as vítimas com alimentação até que estejam criadas as condições para o resgate.
O Presidente moçambicano lembrou que o país é atravessado por muitas bacias hidrográficas na região austral de África, colocando-o numa situação de vulnerabilidade face aos eventos extremos, pedindo com isso ações concretas, sobretudo dos municípios, para travar construções que obstruem a passagem natural das águas.
"A nossa única alternativa é gerirmos cada vez melhor os eventos extremos que nos assolam (...). Esta é a nossa única alternativa, gerir os eventos que nos assolam, incluindo coragem na resolução de problemas causados por nós próprios seres humanos. As mudanças climáticas são um fenómeno global e mesmo as Nações Unidas têm feito referência a isso. O mundo está a aquecer cada vez mais e, em resultado, as chuvas também tem sido mais violentas a cada ano que passa", disse Chapo.
O chefe do Estado elogiou os esforços coletivos para salvar vidas, lamentando as mortes que ocorreram na presente época chuvosa.
"Apesar da situação ter atingido os níveis que atingiu dado os fatores climatéricos que transcendem a capacidade humana, todos precisamos compreender isso, que não é possível geri-los na perspetiva de evitá-los de todo, dada a localização geográfica de Moçambique que nos coloca em extrema vulnerabilidade aos eventos extremos", explicou Chapo.
A chuva torrencial registada na província de Gaza, no sul de Moçambique, impediu na quinta-feira que um helicóptero fizesse o resgate de quase 70 pessoas sitiadas desde domingo em Mapai, disse à Lusa a administradora do distrito.
As chuvas fortes em Moçambique afetaram em menos de um mês 123.495 pessoas, provocando oito mortos bem como a destruição total ou parcial de quase 4.000 casas, segundo o mais recente balanço.
Em todo o país, desde o início da época chuvosa, em outubro, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, já morreram pelo menos 94 pessoas.
Na quarta-feira, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique, estimou que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das zonas de residência, devido ao risco de inundações na província de Gaza, sul do país.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique emitiu na quinta-feira um alerta vermelho para chuvas fortes a muito fortes nas próximas horas, sobretudo nas províncias de Gaza e Maputo, consideradas as mais vulneráveis face à intensidade da precipitação prevista para as próximas horas, com risco elevado de cheias, inundações e descargas atmosféricas.
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