Moçambique avalia em 537,6 milhões infraestruturas destruídas por cheias
- 28/01/2026
"O Conselho de Ministros apreciou as linhas estratégias do plano de reconstrução das infraestruturas destruídas, avaliadas preliminarmente em cerca de 644 milhões de dólares norte-americanos, que tem como principal objetivo garantir uma recuperação resiliente, inclusiva e sustentável da situação socioeconómica e adoção de estratégias integradas e coordenadas para a estabilização e reconstrução no período pós-cheias", avançou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.
Ao avaliar o plano de reconstrução pós-cheias, o Governo adiantou que este instrumento - apreciado em Conselho de Ministros, na província de Gaza, a mais afetada pelas cheias -, vai traduzir-se na decisão política de instituir uma nova orientação, em que a gestão do risco climático, a prevenção, a preparação e reconstrução resiliente das infraestruturas são integradas de forma transversal no modelo de governação e desenvolvimento do país.
"O Governo de Moçambique assume que não basta reconstruir, é necessário planificar melhor para proteger mais, reduzir perdas e assegurar resultados duradouros", disse o porta-voz.
Com este plano, acrescentou, o Governo quer, concretamente, colocar a proteção da vida humana no centro da ação governamental, orientando a planificação, resposta e reconstrução para a salvaguarda das populações, promover um desenvolvimento territorial seguro assente numa planificação que integra mapas de risco e ordenamento territorial e adotar a reconstrução resiliente, assegurando que infraestruturas e assentamentos humanos sejam concebidos para resistir a eventos climáticos extremos.
"Instituir a planificação preventiva e a preparação permanente como pilares da governação, reforçando os sistemas de alerta precoce, a gestão integrada de recursos hídricos, a cooperação regional e as capacidades institucionais do Estado", acrescentou Impissa, adiantando que este plano vai orientar a ação do Governo ao longo do ciclo de risco de inundações na presente época chuvosa que vai até abril.
O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu hoje para 14, com quase 155 mil casas inundadas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 15:30 (13:30 de Lisboa) de hoje, as cheias causaram 14 mortos e afetaram 691.522 pessoas, equivalente a 151.962 famílias. Há ainda a registar 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 137 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.335 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Segundo os dados de hoje, estão atualmente ativos 100 centros de acomodação (11 foram entretanto encerrados), com 94.657 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 353 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.
Atualmente, prosseguem ações e tentativas de resgate de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega e Japão, além de países vizinhos da África austral, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
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