Mortes por inundações em Moçambique é problema de governação
- 21/01/2026
"Não podemos ficar a enfrentar as mesmas situações. Os números de mortes, ciclicamente, quando isto acontece, já não é só problema dos eventos naturais, é também problema de governação", disse Forquilha, líder do Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), segundo partido com mais assentos no parlamento.
Segundo Forquilha, há situações, como o caso de inundações nos bairros, que podem ser evitadas, através da criação de infraestruturas resilientes para retenção e condução das águas, considerando que a ausência de tais políticas de gestão "é uma questão de governação".
Já o chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, disse hoje que a prioridade das operações do Governo é salvar as vidas dos afetados pelas inundações.
"Neste momento, a nossa prioridade é salvar vidas, porque estamos num momento em que as cheias e inundações ainda estão a ocorrer, e estão a causar danos enormes um pouco por todo o país, mas principalmente nas zonas centro e sul", disse Chapo, durante um encontro de balanço em Maputo.
O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 112, continuando três pessoas desaparecidas, além de 99 pessoas feridas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, com números de 01 de outubro a 19 de janeiro, abrangendo já o atual período de cheias generalizadas no país, foram afetadas até ao momento 645.781 pessoas, equivalente a 122.863 famílias, com 11.233 casas parcialmente destruídas e 4.883 totalmente destruídas, agravando o balanço anterior.
Até sexta-feira era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.
O Governo moçambicano estima que 40% da província de Gaza está submersa, devido às fortes cheias dos últimos dias, e que vários distritos de Maputo estão inundados, além da total destruição de, pelo menos, 152 quilómetros de estradas nacionais.
As autoridades moçambicanas montaram segunda-feira um centro de coordenação nacional, liderado pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no aeroporto de Xai-Xai, província de Gaza.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.
Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, seis helicópteros e quatro aeronaves.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
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