Myanmar vota na última fase das eleições legislativas
- 25/01/2026
Desde a sua independência em 1948, Myanmar, antiga Birmânia, apenas conheceu regimes militares, antes de os generais cederem o lugar a um governo civil para uma década de reformas e otimismo.
Este interregno democrático chegou ao fim em 2021 com um golpe militar e a prisão da antiga líder e Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que mergulharam o país do Sudeste Asiático numa guerra civil e numa crise humanitária.
A uma semana do quinto aniversário do golpe de Estado, a terceira e última fase das eleições legislativas, que se estenderam por um mês, começou hoje em dezenas de circunscrições eleitorais.
A junta militar apresenta as eleições como um retorno à democracia, embora o escrutínio não pudesse ser realizado em vastas áreas controladas pelos rebeldes e o partido de Aung San Suu Kyi, ainda presa, tenha sido dissolvido.
Numa secção de voto em Mandalay, a segunda maior cidade do país, o chefe da junta, Min Aung Hlaing, garantiu hoje aos jornalistas que estas eleições são o "caminho escolhido pelo povo", que, segundo o general, "pode apoiar quem quiser".
Nas duas primeiras fases das eleições, o Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), que os especialistas consideram ser a formação representante civil da junta, conquistou mais de 85% dos assentos da Câmara Baixa em disputa e dois terços dos assentos da Câmara Alta.
A Constituição, redigida pelo exército, reserva um quarto dos assentos de cada câmara para as forças militares.
O general Min Aung Hlaing não excluiu a possibilidade de concorrer à presidência quando o Parlamento eleito se reunir para atribuir esse cargo.
Os resultados oficiais devem ser divulgados no final da próxima semana, mas o partido pró-militar poderá reivindicar a vitória já esta segunda-feira.
O partido de Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia, tinha superado amplamente o PUSD nas últimas eleições legislativas em 2020, mas os militares anularam esse resultado e retomaram o poder pela força em 01 de fevereiro de 2021, alegando, sem fundamento, fraudes eleitorais generalizadas.
O golpe de Estado mergulhou o país numa guerra civil, com guerrilheiros pró-democracia a combater a junta milutar, ao lado de exércitos de minorias étnicas há muito hostis ao poder central.
Não existe um balanço oficial da guerra civil em Myanmar e as estimativas variam muito. De acordo com a organização não-governamental ACLED, dedicada à monitorização de conflitos em todo o mundo, mais de 90.000 pessoas foram mortas no país.
A ONU estima que quase metade dos 50 milhões de birmaneses vivem abaixo do limiar da pobreza.
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