Opositor Dologuélé fala em fraude eleitoral na República Centro-Africana
- 08/01/2026
Anicet Georges Dologuélé alegou que os dados das eleições de 28 de dezembro foram manipulados pela Autoridade Eleitoral Nacional.
Os resultados anunciados na terça-feira "não refletem a votação do povo, mas são o resultado de uma fraude maciça, organizada, metódica e encoberta pela própria" autoridade, afirmou Dologuélé numa conferência de imprensa, dizendo "tomar a palavra por dever para com o povo centro-africano".
O Presidente, Faustin Archange Touadéra, foi anunciado vencedor das com 76,15% dos votos, de acordo com os resultados provisórios. Anicet George Dologuélé ficou em segundo lugar, com 14,66% dos votos.
A autoridade eleitoral "falhou na sua missão" e "renunciou voluntariamente à sua independência ao colocar-se ao serviço de um candidato", afirmou ainda Dologuélé, acrescentando que esta "é a única responsável pelo caos eleitoral em que conscientemente mergulhou o (...) país".
O antigo primeiro-ministro e figura importante da oposição, Anicet-George Dologuélé, indicou que aguarda os resultados definitivos do Conselho Constitucional e garantiu que não exclui a possibilidade de recorrer a este órgão para apresentar um recurso.
O ex-primeiro-ministro Henri Marie Dondra, que obteve 3,19% dos votos, também exigiu o cancelamento das eleições, alegando fraude e violações da lei eleitoral.
Um porta-voz de Touadera, Evariste Ngamana, disse que Dologuélé estava a desempenhar o papel de mau perdedor e negou as alegações de manipulação.
Os resultados finais das eleições são esperados para 20 de janeiro. A principal coligação da oposição boicotou a votação depois de um referendo ter permitido a remoção dos limites do mandato presidencial.
A República Centro-Africana, há muito ameaçada por grupos armados,é um dos países do continente que recorreu à Rússia em busca de ajuda na área da segurança. O grupo mercenário Wagner tem sido responsável pela segurança de Touadéra, mas as tensões entre Touadéra e a Rússia aumentaram depois de Moscovo exigir que a Wagner fosse substituída pela unidade militar russa African Corps.
Em declarações à agência noticiosa estatal russa TASS na terça-feira, Touadéra expressou admiração por Putin e disse que o convidou para uma visita e aguarda uma resposta. Não ficou claro quando o convite foi feito.
"Considero-o uma das figuras políticas mais notáveis do mundo e um líder verdadeiramente grande para toda a comunidade global", disse Touadéra.
Reeleito pela primeira vez em 2016 e depois em 2020, numa votação já marcada por acusações de fraude, Touadéra é criticado pela oposição por ter feito aprovar em 2023 uma nova Constituição que lhe permite manter-se no poder.
De acordo com a autoridade eleitoral, 52,43% dos eleitores compareceram às urnas nas eleições que incluíram a votação presidencial, legislativa, regional e municipal, organizada num contexto de tensão na República Centro-Africana.
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