Pessoal não essencial da embaixada francesa abandona Teerão
- 13/01/2026
As mesmas fontes não apontaram um número exato, mas a AFP indicou que a representação francesa em Teerão inclui, em circunstâncias habituais, cerca de 30 expatriados, além de várias dezenas de funcionários contratados localmente.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.
De acordo com a organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes foram mortos desde 28 de dezembro em 14 províncias no Irão.
Entre os mortos, estão nove menores, indicou a organização não-governamental, que registou ainda milhares de feridos e estima que o número de detidos ultrapasse os dez mil.
Algumas estimativas, que a ONG não conseguiu verificar, sugerem um número de mortos bastante superior, atingindo mais de 6.000, acrescentou em comunicado divulgado no 'site'.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a "violência de Estado" no Irão, comentando que "ataca cegamente as mulheres e os homens iranianos que exigem corajosamente o respeito pelos seus direitos".
Numa mensagem nas redes sociais, o líder francês observou que "o respeito pelas liberdades fundamentais é uma exigência universal" e reiterou o apoio de Paris "àqueles que as defendem".
Na passada sexta-feira, Macron assinou uma declaração conjunta com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na qual condenaram "o assassínio" de manifestantes no Irão, pedindo moderação às autoridades de Teerão.
Em reação, o Governo iraniano convocou hoje o embaixador da França e outros diplomatas de missões europeias, de acordo com fontes diplomáticas de Paris.
Em resposta aos protestos antigovernamentais e a pedido do Presidente do Irão, Massoud Pezeshkian, milhares de pessoas, manifestaram-se em Teerão e noutras cidades do país a favor das autoridades da República Islâmica, segundo imagens transmitidas pela televisão estatal.
Após as concentrações pró-governamentais de hoje, o líder supremo do Irão considerou que se tratou de "um aviso aos políticos norte-americanos para que parem com as manobras enganadoras".
Ali Khamenei acrescentou que estas "manifestações maciças e determinadas frustraram o plano de inimigos estrangeiros", que seria executado por "mercenários iranianos".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou em várias ocasiões que apoiaria os manifestantes caso as autoridades iranianas disparassem contra eles e, já hoje, afirmou que dirigentes iranianos o contactaram para negociar.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou que Teerão "não procurava a guerra", mas está "totalmente preparado" para ela, embora tenha deixado a porta aberta para negociações.
Em junho passado, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.
A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país.
Em resposta, Trump pretende o envio de satélites da empresa Starlink, do bilionário Elon Musk, de forma a garantir que a população se mantenha 'online'.
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