Presidente colombiano acredita que evitou ataque dos EUA com "conversa"
- 09/01/2026
Numa entrevista ao jornal espanhol El Pais publicada hoje, Gustavo Petro afirmou que temeu nos últimos dias ser alvo de operação dos EUA como a ocorrida na Venezuela, no sábado, quando forças norte-americanas capturaram o então Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores.
Petro revelou que falou com Trump por telefone na quinta-feira durante quase uma hora e que espera que a ameaça dos EUA se tenha travado.
"Acredito que se congelou, mas posso equivocar-me. Não soubemos que ação militar se estava a planear, só que havia uma em curso", afirmou.
"Trump disse-me na chamada que estava a pensar fazer coisas más na Colômbia. A mensagem era que já estavam a preparar alguma coisa, a planear algo, uma operação militar", acrescentou.
Gustavo Petro confirmou que ambos acordaram um encontro na Casa Branca, a sede da Presidência dos EUA, numa data ainda não definida.
"A conversa consistiu em eu poder expor a minha opinião. Ele só tinha recebido informações da oposição [colombiana] (...). Essa oposição mente sobre a nossa luta contra o tráfico de drogas. Lemos o que escreve Álvaro Uribe [ex-Presidente da Colômbia] e praticamente defende que nos ataquem", acrescentou, revelando que falou durante 40 minutos e Trump durante 15.
Gustavo Petro considerou que Trump "faz o que pensa" e "é pragmático" e acrescentou que apesar de terem visões muito diferentes em muitas matérias, em relação ao tráfico de drogas não têm "qualquer distância".
Lembrando que o Governo da Colômbia - que é de esquerda - nunca reconheceu o resultado oficial das últimas eleições na Venezuela, de julho de 2024, que deu a vitória a Maduro, Petro garantiu que "a posição dos Estados Unidos em relação à Venezuela não se afasta assim tanto" da sua.
O Presidente da Colômbia afirmou que, tal como os EUA, defende a ideia de "transição para umas eleições livres e um governo partilhado".
No entanto, acrescentou, "não pode ser imposta desde fora, deve surgir do diálogo venezuelano" e "o papel dos Estados Unidos deveria ser permitir esse diálogo, em conjunto com a América Latina".
"Todas as forças políticas que há na Venezuela atualmente devem existir. Eliminar umas por vias violentas trará mais violência"; disse ainda o Presidente da Colômbia, país que tem uma fronteira de mais de 2.200 quilómetros com a Venezuela.
"Foi uma grande honra falar com o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que ligou para explicar a situação das drogas e outras divergências que tivemos. Agradeci a sua chamada e o seu tom, e aguardo com expectativa encontrá-lo num futuro próximo", afirmou Trump na rede social Truth Social na quinta-feira.
O Chefe de Estado norte-americano adiantou que "estão a ser feitos os preparativos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Colômbia" para a reunião que "terá lugar na Casa Branca, em Washington, D.C".
Nenhuma das partes tinha especificado até agora o conteúdo da chamada, embora diversos meios de comunicação social tenham noticiado que foi moderado.
Nos últimos dias, o Presidente colombiano criticou duramente a ação militar do governo Trump na região e acusou os Estados Unidos de terem raptado Nicolás Maduro "sem fundamento legal".
Trump respondeu-lhe que deveria "cuidar do seu traseiro" e qualificou Petro no domingo como um "homem doente" que "gosta de consumir cocaína".
Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para prender o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.
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