Protesto contra mega embaixada chinesa agita Londres
- 18/01/2026
Em frente ao complexo de 20 mil metros quadrados onde Pequim pretende estabelecer a sua futura missão diplomática em Londres, antigo local da Casa da Moeda Britânica, junto à Torre de Londres e à sua icónica ponte, os cerca de mil participantes entoaram 'slogans' contra o projeto e transportaram faixas e bandeiras -- curiosamente, nenhuma da República Popular da China.
Entre a multidão, muitos com parte do rosto coberto por máscaras, toucas ou chapéus, predominavam as bandeiras dos povos tibetano, uigur e de Hong Kong, misturadas com a ocasional 'Union Jack' britânica.
"O Reino Unido não se deve ajoelhar perante ninguém, particularmente o Partido Comunista Chinês", lia-se numa das faixas à frente da marcha. "Rejeitem o ninho de espiões chineses. Defendam a segurança britânica", pedia-se noutra mensagem.
Entre os políticos britânicos presentes, a líder da oposição e do Partido Conservador, Kemi Badenoch, acusou o governo do primeiro-ministro Keir Starmer de ter medo da China, afirmando que a construção da mega embaixada naquele local seria um erro.
"A China é um país que tem assediado e abusado de cidadãos britânicos com ligações à China. Ajuda os nossos inimigos, como a Rússia, desestabiliza o comércio global. E o que mais me preocupa é que agora temos um governo que parece ter medo da China", disse a líder conservadora, citada pela agência noticiosa espanhola Efe.
Espera-se que o governo de Starmer anuncie a sua decisão sobre o projeto antes do próximo dia 20, embora há meses que tem vindo a adiar uma decisão definitiva. Os serviços de informação britânicos e até Presidência norte-americana manifestaram preocupação com o projeto da mega embaixada, sugerindo que poderia facilitar as atividades de espionagem de Pequim.
Especificamente, os planos para o local incluem cerca de 208 quartos e uma grande sala, que os críticos temem que possa ser utilizada por Pequim para deter dissidentes chineses que fugiram do regime de Xi Jinping e procuraram refúgio no Reino Unido.
A localização estratégica desta sala é uma preocupação particular, pois, como revelou recentemente o jornal The Telegraph, estaria a poucos metros de uma rede de cabos por onde passam diariamente milhões de pontos de dados, cruciais para o setor financeiro num dos principais centros económicos do mundo.
Starmer planeia uma visita à China no final de janeiro, a primeira de um chefe de Estado britânico em oito anos, com o objetivo de expandir os laços económicos com o gigante asiático, mas a mega embaixada continua a ser um obstáculo na agenda entre os dois países.
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