Protesto cresce em Teerão e Internet é cortada em todo o país
- 09/01/2026
Muitos manifestantes, a pé ou a buzinar nos carros, concentraram-se numa importante avenida de Teerão, de acordo com vídeos publicados nas redes sociais e autenticados pela agência France-Presse (AFP).
Os canais de televisão persas sediados fora do Irão e outros meios de comunicação também transmitiram imagens de grandes manifestações noutras cidades, como Tabriz, no norte, e a cidade sagrada de Mashhad, no leste.
Entretanto, a ONG de monitorização de cibersegurança Netblocks, com base em "dados em tempo real", reportou "um apagão nacional da internet".
"Este incidente surge na sequência de uma série de medidas de censura digital cada vez mais rigorosas contra manifestações em todo o país e prejudica o direito do público à comunicação num momento crítico", sublinhou a Netblocks na rede social X.
Desde o início do movimento, que começou em 28 de dezembro em Teerão, têm ocorrido protestos em pelo menos 50 cidades, afetando 25 das 31 províncias do Irão, segundo uma contagem da AFP baseada em anúncios oficiais e notícias da imprensa.
Estes protestos, inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida, são os mais elevados no Irão desde os que eclodiram após a morte de Mahsa Amini em 2022, que foi presa por alegadamente usar um véu islâmico mal ajustado.
Pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, foram mortos no total, segundo um novo balanço divulgado hoje pela ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega.
"A repressão está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia", realçou o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas também ficaram feridas e mais de 2.000 foram detidas.
Os meios de comunicação social e as autoridades iranianas, por sua vez, reportaram pelo menos 21 mortes desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança, segundo uma contagem da AFP.
Neste contexto cada vez mais tenso, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, voltou a pedir "máxima moderação" perante os manifestantes, bem como diálogo e "escuta das reivindicações do povo".
As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo em vários locais para reprimir as manifestações, bem como munições reais.
Em Abadan (oeste do Irão), segundo a IHR, uma mulher foi baleada diretamente no olho durante uma manifestação na noite de quarta-feira.
Um polícia iraniano foi também esfaqueado enquanto "participava nas ações para controlar distúrbios" perto de Teerão e morreu algumas horas depois, adiantou hoje a agência de notícias iraniana Fars.
Desde Washington, Donald Trump voltou a ameaçar "atacar o Irão com demasiada força" caso as autoridades "comecem a matar" manifestantes.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, denunciou o "uso excessivo da força contra manifestantes pacíficos" por parte do regime iraniano e apelou a Teerão para "respeitar as suas obrigações internacionais" nesta matéria.
De acordo com a Amnistia Internacional, "as forças de segurança iranianas feriram e mataram" manifestantes e civis.
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