Teerão disponível para falar com EUA mas avisa: "Dedo no gatilho"
- 29/01/2026
"As nossas corajosas Forças Armadas estão prontas - com o dedo no gatilho - para responder imediata e poderosamente a qualquer agressão contra a nossa amada terra, espaço aéreo e águas", escreveu Abbas Araghchi na rede social X.
Em simultâneo, o chefe da diplomacia de Teerão afirmou que o Irão "sempre acolheu um acordo nuclear mutuamente benéfico, justo e equitativo", desde que seja alcançado "em pé de igualdade e livre de coerção, ameaças e intimidação".
Na sua mensagem, o ministro iraniano reafirmou o direito da República Islâmica à "tecnologia nuclear pacífica", que assegure a "ausência completa de armas nucleares".
A declaração de Abbas Araghchi surge em resposta ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou repetidamente usar a força em resposta à violenta repressão dos protestos no último mês no Irão, e que abordou também a questão nuclear.
"Espero que o Irão concorde rapidamente em 'sentar-se à mesa' e negociar um acordo justo e equitativo -- sem armas nucleares", escreveu o líder norte-americano nas redes sociais, ameaçando Teerão com um ataque "muito pior" do que os bombardeamentos em junho passado contra instalações do programa nuclear iraniano.
As ameaças do líder da Casa Branca foram acompanhadas pelo envio de uma força naval norte-americana, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln, que chegou à região do Golfo na segunda-feira com a sua escolta, embora não se conheça a sua localização exata.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão já tinha indicado hoje, na televisão iraniana, que os Estados Unidos devem parar as "ameaças e as exigências excessivas" se quiserem dialogar.
A representação de Teerão na ONU disse pelo seu lado que o Irão está "pronto para o diálogo" com os Estados Unidos, mas pode responder "como nunca" a um eventual ataque.
"O Irão está pronto para o diálogo baseado no respeito e em interesses mútuos, mas, se encurralado, defender-se-á e responderá como nunca!", afirmou a representação diplomática em Nova Iorque numa mensagem na rede social X.
A missão iraniana acrescentou que "da última vez que os Estados Unidos embarcaram de forma imprudente em guerras no Afeganistão e no Iraque, desperdiçaram mais de sete biliões de dólares e perderam mais de sete mil vidas norte-americanas".
Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos ao longo de janeiro, números contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegaram estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior.
O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país por ordem das autoridades, e entretanto perdeu intensidade, mas as detenções prosseguem.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou hoje, numa audição na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado (câmara alta do Congresso) em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a sua economia "em colapso", e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.
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