Tusk alerta EUA para "diferença entre dominação e liderança"
- 23/01/2026
"Como primeiro-ministro polaco, estarei sempre dedicado à relação transatlântica. Para nós, os Estados Unidos são o parceiro mais importante quando se trata de segurança, e aceitamos sempre a liderança dos EUA", afirmou Tusk em declarações à imprensa, ao chegar à cimeira que os líderes europeus estão a realizar hoje à tarde em Bruxelas.
"É por isso que é tão importante para o mundo inteiro, incluindo os nossos parceiros em Washington, compreender a diferença entre dominação e liderança", continuou Tusk.
Os chefes de Estado e de Governo reúnem-se hoje numa reunião extraordinária para discutir a relação transatlântica, um ano após o regresso de Donald Trump à Casa Branca e num contexto de tensão dada as pretensões do líder norte-americano sobre a Gronelândia, território autónomo dinamarquês.
Inicialmente, os líderes europeus tinham previsto discutir a possibilidade de aplicar tarifas a Washington no valor de 93.000 milhões de euros e até estrear o instrumento anti-coerção, duas opções que foram afastadas após o projeto de acordo anunciado por Trump sobre a Gronelândia, depois de se reunir com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
"A coerção não é um bom método, especialmente na nossa relação com os nossos parceiros transatlânticos. Construímos a União Europeia (UE) para que a coerção não fosse a essência da política. Para mim é absolutamente claro", disse Tusk.
Por seu lado, o chanceler alemão, Friedrich Merz, congratulou-se com o anúncio de Trump de que não irá intervir militarmente na Gronelândia nem impor tarifas a países europeus que se opõem à anexação da ilha ártica, durante o seu discurso no Fórum Económico de Davos, Suíça, na quarta-feira.
"Foi demonstrado que a unidade e determinação da parte europeia podem, de facto, ter um efeito", disse o líder alemão, à chegada à cimeira extraordinária em Bruxelas.
Ao mesmo tempo, Merz sublinhou a necessidade de aumentar a segurança na região do Ártico, parte do pré-acordo entre a NATO e o Presidente dos EUA, e insistiu que os membros europeus da Aliança Atlântica devem adquirir a capacidade de se defender.
Já o chanceler austríaco, Christian Stocker, avisou que a UE tem de se preparar para possíveis novas crises com os EUA, em que "países individuais ou a União Europeia estejam novamente ameaçados" com medidas comerciais ou de política económica.
"Ainda não houve uma crise, mas como vamos lidar com a próxima? E esse é exatamente o nosso tema. Temos de nos adaptar a esta nova e mudada ordem mundial, e temos de o fazer muito rapidamente", disse, também à chegada à cimeira.
Stocker afirmou que a UE deve preparar-se para eventualidades e apresentar uma posição clara "com a cabeça fria, mas também com mão firme" caso surjam novamente ameaças contra a Europa.
O líder austríaco considerou que a relação transatlântica está numa "fase muito difícil" e admitiu que ainda está por perceber se o dano será permanente ou temporário.
"Para nós, trata-se agora de procurar soluções que sejam alcançadas através da negociação, que sejam alcançadas com base no sistema jurídico", disse Stocker, que indicou que as considerações estratégicas e de política de segurança, como as apresentadas pelos EUA, são justificadas.
No entanto, Stocker afirmou que tais preocupações podem ser abordadas "sem chegar a uma transferência de território soberano".
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